Inovação e Tecnologia em Negócios de Impacto Social

No período de 24 de abril a 23 de maio, abrimos inscrições para o Ahead | Labora Oi Futuro! Nosso programa de aceleração com foco em potencializar startups que promovam impacto positivo na sociedade. Trabalhar com impacto social sempre esteve nos objetivos da Farm e neste momento vamos colocar em prática com a parceria do Oi Futuro. As startups selecionadas (nossos novos farmers <3) receberão aceleração no novo espaço do Lab Oi Futuro, no Rio de Janeiro.

Para divulgar o novo programa que será rodado a partir de 21 de julho, realizamos o evento “Inovação e Tecnologia: acelerando negócios de impacto social” no dia 15/05 no Campus São Paulo. Na ocasião, realizamos 2 painéis com os seguintes convidados: o primeiro com a participação de André Barrence, Head do Campus São Paulo, Maitê Lourenço, founder da Black Rocks, Douglas L. Nicolau, founder da Incentiv e mediação de Rafaela Herrera, BizDev da Startup Farm; o segundo contou com a participação de Célia Cruz do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Flávia Vianna, Coordenadora de Inovação Social do Oi Futuro, Alvimar e Aline da Silva, fundadores da Ubra, com mediação de Gabriel Araújo, da área de investimentos da Startup Farm.

Preparamos este post para você com um resumo de todos os principais temas e conteúdos do evento:

1º Painel

Participantes:
Maitê Lourenço, founder e CEO da Black Rocks Startups, que incentiva a população negra a acessar o ecossistema de tecnologia, inovação e startups. No seu portfolio de startups pré-aceleradas, está a Juntos Campus,  a primeira startup liderada por uma pessoa negra no mundo aprovada em um programa de aceleração da empresa Oracle.

Douglas L. Mariano, founder da Incentiv acelerada pela Startup Farm em 2016. A Incentiv é uma plataforma que permite que pessoas e empresas façam a gestão dos recursos de seus impostos direcionando parte deles para causas sociais através de leis de incentivo fiscal.

André Barrence, trabalhou por mais de 10 anos em projetos na área pública, foi empreendedor e investidor do ecossistema de educação. Atualmente faz parte do Google For Enterpreneurs e é Head do Campus São Paulo.
 

COMO MEDIR IMPACTO?

De acordo com André Barrence, toda a métrica deve estar baseada na visão da organização. No caso do Google For Entrepreneurs, iniciativa do Google que tem o propósito de desenvolver ecossistemas empreendedores pelo mundo e que é responsável pelo Campus São Paulo, as métricas de impacto relevantes para o negócio são:  

– Criação de empregos pelas startups residentes.

– Captação de investimentos pelas startups residentes.

–  Métricas de diversidade em todas as suas manifestações (gênero, raça, política, nacionalidade, etc…). No caso do Google, uma das principais temas de diversidade é a de gênero, a qual Barrence entende que deve ser sempre fomentada de forma proativa dentro do ecossistema de tecnologia.

 

Para Douglas L. Nicolau da Incentiv.me, plataforma que permite que pessoas e empresas façam a gestão dos recursos de seus impostos direcionando parte deles para causas sociais através de leis de incentivo, como a Lei Rouanet, para educação e cultura; Pronon, para saúde oncológica; Fundo Nacional do Idoso, para Melhor Idade; Fumcad, para Inclusão Social; Lei de Incentivo ao Esporte, para o esporte; Pronas, para pessoa com deficiência, as métricas mais utilizadas são:

– Número de Projetos cadastrados na plataforma.

– Volume de funding captado para os projetos.

– Quantidade de empresas captadas para o patrocínio incentivado.

 

A partir disso, o próximo passo do Roadmap da Incentiv é a criação de uma calculadora de impacto social. De acordo com Douglas, seria uma evolução do impostômetro, que apenas registra o valor da arrecadação de impostos federais, estaduais e municipais em tempo real para um “impactômetro. O objetivo seria comparar: “os resultados gerados pelos recursos públicos quando geridos pelo Estado e os resultados dos mesmos recursos sob a gestão da sociedade civil.”

No caso da BlackRocks, pré-aceleradora de startups para negras e negros,  a founder Maitê Lourenço considera as métricas de impacto fundamentais, mas entende que a sociedade brasileira, apesar de ter 54% de negros, ainda precisa de mais ações de conscientização sobre a importância de olhar para esta população, que ainda é pouco representativa no ecossistema empreendedor.

Entretanto, as métricas de impacto mensuradas pela Black Rocks, são:

– Faturamento das startups aceleradas

– Quantidade de pessoas impactadas pelo negócio das startups

– Quantidade de mentores envolvidos.

 – Número de participantes em eventos da Black Rocks.

 

ÉTICA E RESPONSABILIDADE NA PROGRAMAÇÃO

No ambiente digital todos nós geramos dados o tempo inteiro, através de compras online, interações em redes sociais, leitura de artigos em blog, etc… Todos estes dados são armazenados em diversas plataformas hospedadas em nuvem com grande capacidade de armazenamento.

Na opinião de André Barrence, o alto volume de geração de dados associados a grande capacidade de armazenamento dos servidores em nuvem, demanda um olhar sensível das ciências humanas para criar soluções éticas e responsáveis com impacto positivo na sociedade. Maitê Lourenço também concorda com Barrence e afirma que sem ética e responsabilidade, existe o risco de se traduzirem em algoritmos de sistemas, aspectos negativos da sociedade, como a dificuldade da população negra em receber crédito devido aos preconceitos dos analistas de instituições financeiras.

 

2º Painel

Alvimar da Silva, foi motorista de táxi e trabalhou em diversos projetos sociais na região da Brasilândia, com a qual é muito identificado. Fundou a Ubra (União da Brasilândia) e está dedicado a expansão do negócio.

Aline da Silva, foi funcionária do setor bancário e atualmente trabalha na Ubra com seu pai Alvimar.

Célia Cruz, economista, trabalhou com captação de recursos para ONGs e foi diretora da Ashoka no Canadá. Atua com inovação social no ICE

Flávia Vianna, economista e assistente social, mestre em administração pública. Atua no Oi Futuro com inovação social há 16 anos.  


MVP da Quebrada

O motorista Alvimar percebeu que havia uma alta demanda por corridas no bairro da Brasilândia durante o período noturno e que os serviços de transporte privado disponíveis em aplicativos não atendiam. Um dos aplicativos, quando acionados pelos passageiros da região,exibem a mensagem:

"Infelizmente, o serviço não está disponível na sua área no momento"

 

Inicialmente, Alvimar começou a direcionar as chamadas para os seus amigos motoristas. Depois, criou a União da Brasilândia (Ubra) da seguinte forma:
 

– Tecnologia: Whatsapp como tecnologia para conectar motoristas e passageiros

– Espaço de atendimento ao cliente: Sala da casa de Alvimar

– Público-alvo: 400 mil pessoas, população residente no bairro da Brasilândia

– Adotantes iniciais: 20.000 pessoas.

 

É uma ótima lição de MVP para todos os empreendedores, certo? Alvimar mostra que para validar e testar uma ideia não é necessário investir em horas de softwares houses, CNPJ, advogado. Basta entender a maneira certa de acessar o público-alvo, entender se eles tem um problema e como é possível resolvê-lo.
 

FUNDOS DE INVESTIMENTOS PARA IMPACTO SOCIAL

Flávia Vianna do Oi Futuro falou sobre o papel do Instituto que por 13 anos fomenta e investe em inovação social através de diversas áreas, como: desenvolvimento comunitário, cultura, meio-ambiente e biodiversidade. Além disso, recentemente inauguraram o Lab Oi Futuro, espaço de inovação e criatividade, para conectar empreendedores sociais e profissionais da indústria criativa.

O Instituto da Cidadania Empresarial (ICE) também é um importante player deste ecossistema. Desde 2012, trabalha com o tema de negócios sociais e de impacto. Atualmente conectam empresários e investidores com iniciativas de impacto social através de chamadas de financiamento semente, com aportes de no montante de R$150 mil e R$250 mil por startup.

Os outros fundos de investimentos destacados pelos palestrantes foram: Bemtevi, oferece empréstimo a negócios de impacto social com retorno aos investidores sem juros ou correção monetária no prazo de até 4 anos e Vox, que fazem aporte de capital financeiro e intelectual em troca de 20% a 35% da participação acionária do negócio.


O objetivo dos dois painéis foi dar um panorama das possibilidades de empreender em negócios de impacto social, mostrando as oportunidades em diversas etapas: validação da ideia, construção de métricas e captação de investimento.  Além da discussão sobre a ética e responsabilidade na programação, que é fundamental em todo negócio baseado em tecnologia.

O evento atingiu a capacidade máxima do principal auditório do Campus São Paulo, o que de acordo com nosso CEO Alan Leite, serviu de validação para a Farm realizar um programa de aceleração com foco em impacto social e continuar criando várias ações com esse propósito, para dar nossa contribuição para resolver os diversos problemas da nossa sociedade. Assista ao vídeo na íntegra:

Acompanhe sempre nosso blog para saber tudo sobre as próximas edições dos nossos programas de aceleração Ahead.

 

 

 

 

 

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